sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Não Se Metam Com SEUS Filhos"

Um texto para nós refletirmos um pouco como hoje em dia estamos cada vez mais transformando nosso lar, nossa família em bolhas, e isso tem um ponto negativo, aliás, vários pontos negativos na construção da autoconfiança, no poder de discutir e construir suas próprias perspectivas e ideologias a respeito de tudo e todos dos nossos filhos. E isso nos remete aquele velho sentimento de que nosso filho é indefeso e que temos que proteger de tudo, inclusive de nossa própria proteção exagerada. Lembro de mim; hoje tenho na construção de meu caráter, um pouco de cada um de meus familiares.

Texto retirado do livro "Livro dos Pais; Linguagem - Construindo e Aprendendo - Editora Construir", Por Gustavo IAIES.

"Quando era diretor de escola, organizamos um curso de primeiros socorros com todos os professores. Hugo, o médico, reforçava-nos a ideia de que era muito importante que não perdêssemos a calma quando uma criança se machucasse: "Eles não tem ideia da gravidade do que aconteceu, eles percebem a partir de como nós, adultos, reagimos", disse ele.
Fiquei pensando nisto, nos adultos, e particularmente nos pais como modelos. Era divertido, na escola, reconhecer nos pais e nas mães, gestos, reações, modos de falar e pensar das crianças. "Filho de peixe",costumam dizer alguns pais, quando reconheciam em seus filhos essas pérolas que lhe resultavam familiares.
Agora, oque parece tão interessante nos processos de transmissão, pode tornar-se uma limitação no "império da intimidade". As famílias diminuíram de tamanho, os tios e avós não estão mais presentes como antes. Os vizinhos e comerciantes temem dizer coisas às  crianças perante aqueles pais que se tornaram os guardiões exclusivos dos ensinamentos de seus filhos. O mundo das referências também diminuiu para as crianças, não parece estranho escutar um pai dizendo a seus irmãos: "Olha só, meta-se com seus filhos, que dos meus cuido eu", quando opinam sobre as dificuldades ou características que veem em seus sobrinhos. Muitos preferem que ninguém se meta com seus filhos e acreditam que assim os estarão protegendo.
Protegendo suas crianças assim? É o melhor que podem fazer por elas? As vezes, é difícil contestar. Lembro-me de que quando criança, o padeiro do meu bairro me chamava a atenção: "Amarre o cordão do sapato, senão você vai cair"ou do meu vizinho que me aconselhava a não jogar bola debaixo do sol do verão. Era um mundo cheio de referências de adultos que se preocupavam comigo e creio que muitas dessas vozes seguem vivas dentro de mim.
Alguns poderão dizer que era outro mundo, e terão alguma razão. Mas eu lhes direi que todas as pessoas que vivem ao redor das crianças tem boas intenções quando lhes dizem algo ou se interessam por elas. E o risco deste mundo, no qual só escuto "minha mãe e meu pai" é empobrecer as experiências educativas e vitais dessas crianças.
 O grande desafio é aumentar a quantidade de "pontos"em que as crianças procurem referências, sem ter que trancafiá-las dentro de casa exclusivamente. Isto não significa que não cuidemos delas, significa que o fazemos sem "fechar janelas". Não parece interessante crescer em um mundo onde, com exceção de mamãe e papai, todos os outros são suspeitos. Inclusive as vezes, mamãe faz com que eu desconfie de que papai está dizendo a verdade e vice-versa.
É bom acreditar nos outros, pensar que estamos cercados de pessoas boas, ainda que as vezes, enganemo-nos. Será uma exceção, ficaremos angustiados, mas estaremos tão mais cheios de "vozes interiores" que o superaremos com maior facilidade.
Professoras ,vizinhos. tios, amigos, comerciantes conhecidos tem "vozes"que podem enriquecer o lindo relato que as crianças constroem de suas próprias vidas. O risco dos "muros de intimidade" é que os adultos nos protejam, mas não as crianças."


E sim...há mais de nós nos nossos filhos, do que imaginamos...incluindo os nossos mais internos defeitos, os quais fazemos questão de dizer "isso faz parte dele já, nao sei a quem puxou..."rs

Espero que tenham gostado!
Bjs, Ju!

3 comentários:

Diário da mãe e da filha disse...

Ju, que excelente texto pra refletir... Nem sei o que dizer, mas me fez pensar.

Beijos
Lilia

Helga - Mamãe da Manu disse...

Oi Ju...está linda sua família...
Sobre o texto me identifiquei bastante...com a minha família até não tenho tanto problema, pq eles me ajudam muito e então não ligo de chamarem a atenção da Manu, mas já quando se trata da familia do pai dela, me armo até os dentes...nem sonhando eles podem falar bruscamente com ela estando eu perto...claro q sei q estou errada, massss acabo q nao me corrijo...E ela como filha de peixe...tbm acaba não obedecendo a eles, e nem tendo como referencia pra nada...Bjjjj

Dri disse...

ótimo texto, ju!!!

Sua família tá linda demais!! Saudades de vir aqui...

Dá uma passadinha lá no blog, tô cheia de novidades... agora estou trabalhando no meu Ateliê...

Beijokinhas, Dri