terça-feira, 19 de junho de 2012

Partos x Mães X Culturas

 Essa semana o top dos assuntos está sendo sobre o parto em casa por causa da Marcha das mulheres em defesa de seus direitos de parir em casa sem proibição médica.
E esse tema polêmico levanta outros detalhes delicados maternos que não devem ser dispensados ou escanteados.
Antes de falar a respeito, vou separar os dois temas; sobre a Marcha do Parto em Casa e sobre os tipos de partos, são coisas particularmente diferentes.

A Marcha do Parto em Casa reuniu essa semana centenas de mulheres nas ruas reivindicando seu direito de parir onde acha melhor, onde se sente mais segura. É um direito nosso como mulher, decidir onde nosso filho vai nascer, pelo menos deveria.
A questão polêmica vem de alguns médicos que são contra esse tipo de parto, alguns alegam a falta de tecnologia, falta de equipamentos necessários em caso de emergência. Sim, é relevante. A medicina tem se aprimorado cada década para trazer mais conforto e mais segurança na hora do parto. Há quem esteja do lado da ciência, há quem esteja do lado natural da situação.
Mas porque não ouvir a mulher?? Porque deixar de lado o dia mais importante de sua vida?? Porque não ajudá-la nessa hora e desde o início do pré-natal auxiliá-la nas dúvidas, nos esclarecimentos, expor as explicações, detalhes, riscos e o mais importante; porque não acompanhá-la???
Obstetra do lado, doula, enfermeira, equipamentos de primeiros socorros, é tão difícil assim????
Quem já teve filhos sabe a importância do pré-natal, um excelente acompanhamento de um obstetra de sua confiança, aquele profissional que a mulher pode contar em todas as horas, ligar de madrugada e dizer oque está sentindo... Isso é fundamental. Apoio, suporte, respeito aos sentimentos.
Parir em casa deve fazer parte dos procedimentos durante o pré-natal, o médico deveria deixar a mulher ter esse direito, mas a gente já escuta assim: "você prefere como; normal ou ce'sarea?" E simples assim. Nunca "você pensa em ter em casa? Voce sabe como é? Quer ouvir a respeito? Sabia que muitas mulheres adoram e se sentem mais seguras em casa com sua familia? Sabia que o risco de contaminação ou infecção qase nao existe?" Mas NUNCA essas coisas são cogitadas. Uma pena.


Eu tive dois partos cesáreos; o primeiro não estava marcado, até porque eu queria normal, no hospital. Bolsa rompeu, líquido saindo muito, bebê quase sem. Não houve dilatação nem dor alguma. Tive que ir pra sala de cirurgia de última hora. Foi o parto mais tranquilo, pós parto maravilhoso, equipe fantástica.  Não senti dor nem antes, nem durante nem depois. Clara nasceu saudável e a amamentação foi rápida, no início dolorida, mas com insistência minha, deu certo e foram 6 meses exclusivos mais 6 meses com complementos.
Na minha segunda gestação foi mais complicada. Desde o início corri risco de aborto e aos 8 meses comecei a sentir dores, estava sem minha médica de confiança, fui pra urgência e foi o pior atendimento que já existiu na minha vida, hospital particular também. Depois de o médico ouvir o coração do bebê, tive que ir pra sala de cirurgia imediatamente, já comecei a ficar nervosa e as coisas só pioraram. Enfim, meu filho nasceu sem chorar, teve que ir pra máscara de oxigênio e eu vim saber disso na hora da alta dele; 3 dias depois. Senti dores fora do normal após o parto parecia que estavam rasgando meu útero, e a equipe de enfermagem cagando mole pra minha reclamação. Depois de horas com dores insuportaveis, me deram morfina e consegui dormir. A amamentação foi difícil, dolorosa, complicada, meu emocional lá embaixo, por um mês dei Nan a noite, mas persisti e agora ele só mama no peito.

Oque quis dizer com meus exemplos é que cada situação é única e imprevisível. A mulher sabe seus limites, conhece seu corpo mais do que qualquer outra pessoa e junto de um profissional sério e que a entenda completamente, a coisa funciona. E que também há uma necessidade urgente na melhoria dos atendimentos de saúde em todos os quesitos, mas como estamos falando em parto, o Brasil está longe de ter um parto humanizado de qualquer que seja o tipo.
É preciso tornar as informações mais viáveis, mais leves e fáceis. Qual a diferença entre um parto natural em casa e um parto cesáreo ou normal no hospital? Entre tantas outras, a principal diferença está na cabeça tranquila e preparada da gestante.

Essa questão levantou outra discussão, sobre os tipos de parto e tipos de mães e sou curta e grossa, parto não define mãe! O parto não determina o tamanho do amor da mãe pelo filho. O parto é uma escolha da vinda do bebê e só. Não importa como seu filho veio ao mundo, você não é menos mãe porque foi pra sala de cirurgia, assim como você não é menos mãe porque não conseguiu amamentar seu filho. Amamentação é outro assunto bastante polêmico, porque também não depende só da mulher, não basta oferecer o peito e o bebê suga e pronto. Não é simples, pode ser doloroso, complicado e demorado, exige esforço e paciência.
Se parto definisse mãe, como ficariam as mães adotivas??? E as mulheres que tem seus filhos em casa escondidas e os jogam na privada ou em sacos plásticos em rios, seriam mais mães do que as que optaram por uma cesárea pra  não sentir dor ? Não podem existir rótulos na maternidade, o respeito é um direito e dever de todos, só a mulher conhece seus limites, seus medos, seus pavores, suas vontades.
Conheço mulheres que passaram a gestação toda dizendo que teriam filhos em parto normal e de última hora numa crise de choro e medo, marcaram cirurgia se sentindo frustradas pelas mães que adotam o método "só é mãe quem sente dor".  É errado e preconceituoso. Já prestaram atenção na primeira pergunta que uma mulher faz a outra com filho depois da idade dele?? "Foi normal ou cesárea??" E pronto, lá se vai a mãe ser encaixada num padrão determinado pela sociedade feminina.
Na europa é comum e normal os parto naturais e normais, mas isso está culturalmente imposto no período gestacional. Cesárea é em último caso em complicações. Mas porque ??? Porque lá os médicos além de se importarem com a saúde física e mental das gestantes, eles acompanham e fazem do parto normal um procedimento comum, sem alarde, ou seja, é um procedimento COMUM. Nós não temos essa cultura e não deve ser imposta sob pressão  , deve ser educada de forma lenta, pois estamos acostumadas com outras situações. O parto é apenas um procedimento de trazer um ser ao mundo, não define caráter nem sua maternidade.

E viva nossa liberdade, viva o respeito às diferenças maternas, viva a vida! Isso é oque deve ser importante; uma mulher gerando uma nova vida, na educação que o filho recebe, no tamanho do amor que é dado a um novo ser e jamais uma mulher deve  ser pressionada ou excluída de padrões maternais porque não deu a luz naturalmente ao seu filho. Tenhamos cuidado com os termos usados nas escolhas dos partos, nas críticas a outras mulheres. E viva a ética materna!!!
=)

7 comentários:

Roberta Berrondo disse...

Ju, Como coloquei no blog, parto é ESCOLHA do casal com apoio do obstetra. Não existe parto melhor ou pior, mãe melhor ou pior, o que falta é RESPEITO. simples assim

Fanny Barbosa disse...

amiga, cada um com sua vida, vou confessar que achei o ô as mulheres acharem e comentarem que era uma marcha contra a cesariana, quando na verdade é uma luta sobre o poder escolher.
Ainda bem que deu tudo certo com vc e com as crianças, e meu fofo nem parecia que tinha ido pra mascara, de tão fofo que tava no dia que em que fui na maternidade!
bjs

Giovanna Cresceu!!! disse...

Sempre muito sensata vc, Ju! O tipo de parto não define o tipo de mãe. Eu escolhi fazer cesárea e nem comentei nada antes pq sabia que um monte de gente ía falar mal. A mulher tem que decidir e pronto!
Bjão.
Nanda
http://gigielili.blogspot.com

Ana Masi - LookBebê disse...

Ótimo texto!!!!
Parabéns, adorei!

Bjos

Valquíria disse...

Como sempre Ju seu post foi o melhor que li até agora sobre partos x mães x culturas, meus parabéns!!!
Vc soube expressar em palavras direitinho aquilo que nós sentimos, como já te disse p/ mim o mais importante é o nascimento em si, a saúde do bebê e da gestante e não as vias de parto!
beijocas,
Val e Gui

Juliana disse...

Muito bom o post, Ju!!! Concordo, quem tem que optar e decidir é a mulher mesmo. Eu prefiro cesárea com dia e hora marcada. Mas cada um sabe o que é melhor pra si, né?
Bjos!
Juliana Almeida
www.blogdabebel.com.br

Micheli Ribas disse...

Oi, Ju! É verdade que o tipo de parto não define que tipo de mãe a mulher será. Também passei por cesária de emergência e isso nunca diminuiu o meu amor pela minha pequena e minha dedicação a ela! Ela mamou no peito de primeira, isso não influenciou em nada. Bobagem discutir esse mérito. Cada um tem de ter o direito da escolha e, quando não se pode escolher, temos de confiar no que o médico está falando que é preciso fazer para salvar a vida da mãe e do bebê. O errado é médico impor cesária por falta de tempo para esperar um trabalho de parto, o que existe aos montes no Brasil.
Beijo!