sábado, 22 de outubro de 2011

Aprendendo sobre Diferenças e Semelhanças

Hoje assistindo o Teleton (evento televisivo para divulgar  os trabalhos da AACD) no SBT, Clara viu crianças diferentes dela.
Aproveitei para explorar esse mundo que não fazia parte do dela até então; ela não conhece ainda nenhuma criança deficiente e percebi também que não existem brinquedos que permitam as crianças entrarem nesse mundo e aprender desde cedo que as diferenças vem para unir e nos tornar mais humanos e humildes. Seriam interessantes bonecas de cadeira de roda, de muleta, sem pernas ou braços. Chocante?? Não mesmo, é a nossa realidade e que desde cedo aprendemos que devemos nublar nossa visão para torna-la  falsa, como se as deficiências fossem algo que nos rebaixasse ou nos torna-se menores e menos importantes... Pelo contrário, são pessoas de espíritos incríveis, com uma capacidade de superação e força de verdadeiros super-heróis.

E minha filha me surpreendeu.
- Mãe!!! Uma menina-robô!!!
É filha... uma menina-robô. Ela se referiu à uma menina que no lugar de perninhas iguais as suas, eram pernas de robô.
- Mas mãe, porque ela não tem perninhas assim ó?  - Tocando nas suas perninhas.
E aí o mundo de fantasia colorido onde tudo é possível, entrou em cena de verdade:
- Porque ela tinha perninhas dodóis, e então foi preciso trocá-las. Veio um doutor bem legal, tirou as perninhas ruins e machucadas e colocou essas fantásticas pra ela poder correr igual a você! Nao é legal?? Ela corre IGUAL a você, ela é FELIZ IGUAL a você.
Entrei no site da AACD e procurei imediatamente fotos dessas crianças. Mostrei algumas para ela e ela me surpreendeu novamente.
- Mãe, porque ele não tem bracinhos como os meus???
- Porque os dele são menores, ele não precisava de braços tao grandes, ele abraça IGUAL a você, ele é FELIZ IGUAL a você.
- Ahhhh mãe!!!!!! Ele escondeu os bracinhos assim ó... - e encolheu os braços em sua blusinha.
Ela me impressiona com suas soluções! Mas ..
- É filha, mas ele não escondeu, ele tem bracinhos menores mesmo.
- Não mãe, ele escondeu.

Eu tentei mostrar as diferenças que existem nas pessoas pra minha filha e ela me mostrou a sua perspectiva simples e verdadeira da vida, que apesar da menina tem ter pernas, ela é um super robô e isso não fez diferença na vida dela porque a idéia de personagens diferentes já existem e essa foi sua solução. Ela não precisou de muitas explicações tristes para o menininho sem braços, ela me mostrou que ele escondeu e pronto, isso não fez diferença em sua vida pois ela compreendeu que ele é igual a ela. Eu não precisei dizer quem era Zíbia Gasparetto na TV, ela me falou: "olha mãe, uma bisa!" Minha filha é criança, ela consegue enxergar semelhanças em todos, não diferenças.

Aprendi com minha fiha hoje mais do que ela aprendeu comigo; quando você olhar pra um deficiente, olhe com olhos de uma criança, você aprende a não buscar diferenças e sim soluções que tragam semelhanças.

Um excelente fim de semana!

11 comentários:

Desconstruindo a Mãe disse...

Oi, Ju!

Convivo com o olhar crítico sobre a diferença sem estar na pele, porque meu irmão é o "diferente". Esse ano quando estive com a perna imobilizada experimentei um dia ir ao shopping porque queria comprar presente de dia das mães e vi o quanto é duro o olhar preconceituoso, medoroso ao encarar, tinha gente que até desviava ou fingia que eu não existia. Mas nenhuma dessas pessoas era criança.

Elas eram curiosas ou simpáticas e muitas vezes eram repreendidas por seus pais ou mães, ou responsáveis, que evitavam o tema.

E a cidade nunca é acessível aos deficientes porque não nos colocamos no lugar deles.

Acho que seria uma experiência muito interessante experimentarmos ficar no lugar de outras pessoas. Não apenas pela valorização de nossas condições de saúde, mas também pelo fato de que aprenderíamos a pensar nos outros, a perder muitos conceitos errados que temos sobre o potencial que cada pessoa tem.

Beijo, adorei tua reflexão e vou mandar pra nossa associação de distrofia muscular (AGADIM).

Ingrid

Mari Hart disse...

Que lindo Ju! Infelizmente não são todas as crianças que tem o contato direto com as diferenças como a deficiência física e intelectual, isso acredito que seja devido a falta da real inclusão social e escolar, e então nada como mostrar e explicar o que é verdadeiramente através da mamãe.

Beijo grande lindona!

Micheli disse...

Muito legal isso, Ju! É muito importante mesmo mostrar e ensinar essas coisas aos pequenos.
Realmente as pessoas deveriam ver mais as coisas como os olhares das crianças, inocentes e sem preconceito.
Adorei o post.
Beijos.

Cris Guimarães disse...

Me chamou atenção o comentário da Ingrid... Que mães são essas que repreendem os filhos que tentam interagir ou entender os deficientes? Desde cedo incutindo preconceito nos pequenos, quando essa fase é a ideal para acabar com isso de vez, pois as crianças são naturalmente curiosas e abertas. Boa a sua postura com sua filha, tomara que tenha muitas assim.

Pandora disse...

Eu tive a sorte de poder conviver com Tallyta desde os meus sete anos e ela me ensinou na prática que o diferente é igual e que deficiencia intelectual e física não é sinônimo de limites!!! Depois quando cai no mundo da educação infantil e tive que lidar com as crianças com deficiencia intelectual e física só precisei colocar em prática o que aprendi em casa. Sua pequena um dia vai colocar em prática essas lições que aprendeu hoje e é assim que o mundo vai mudando, pouco a pouco...

Giovanna Cresceu!!! disse...

Com certeza a vida seria mais fácil se enxergássemos tudo com os olhos puros das crianças. Gi tem uma bisa que só tem uma perna, foi amputada devido a um câncer e já viu crianças em cadeira de rodas e tb aproveitei a oportunidade pra explicar.
Bjs.

selma pereira disse...

Oi Jú.....que ótima lição passou pra Clara, pois como temos o dever de formar os cidadões do amanhã, precisamos mostrar as diferenças que existem e aproveitar e passar que temos que respeitar todos.

Claro que criança têm uma visão bem diferente que a nossa, e isso já é um grande passo. Quando crescerem serão Cidadões exemplares, coisa que falta muito hoje em dia.

Adorei o convite do chá de bebê do Arthur, ficou lindo.

Bjs.
Selma

Juliana disse...

Oi Ju! Também acho super importante a gente ir falando sobre as diferenças para os nossos filhos desde pequenos.
Não seu se sou muito crua com Bebel, talvez ,me recriminem. Mas eu falo tudo pra ela. Não pinto o mundo de cor de rosa não, porque ele não é.
Sempre mostrei fotos de deficientes. Falo pra ela que enquanto ela reclama da comida, tem crianças MORRENDO DE FOME. E até já mostrei fotos de crianças da África pra ela.
Ela já convive com muitas crianças especiais na escolinha. E, sinceramente, ela não percebe que elas são especiais. Às vezes, ela me pergunta porque o amiguinho não fala ainda, ou porque não fala direito, ou porque não anda. ou porque tem "aquela carinha engraçada". Eu explico que é pq cada um é diferente. Foi assim que Deus fez. Mas todos são felizes, perfeitos e iguais a ela, porque Deus não faz nada imperfeito. Tudo que Deus faz é maravilhoso e foi Ele QUE NOS FEZ DIFERENTE ASSIM. Porque Deus gosta de olhar a diferença. Ela adora essa explicação!
Em relação às crianças que passam fome, eu sempre digo que nós temos obrigação de ajudá-las. Temos que doar dinheiro, doar comida, doar brinquedos, doar roupinhas e doar amor! E ela sempre dar seus brinquedos e roupas que não usa mais. E até parou de reclamar das comidas que não gosta. Foi um choque de realidade impressionante!
Bjos!
Juliana Almeida
www.blogdabebel.com.br

Adriana disse...

Que lindo Ju!

E Clarinha é assim graças a educação que ela recebe de vocês! é vc e o pai que a moldam.

bj

Adriane Souto disse...

QUE LINDO JÚ!
Super importante este contato da mãe em ensinar os filhos, estar presente sempre.
E, como tudo na nossa vida são fases, logo essa passa....srs....E vem outras!!!!!
Mãe, uma vida cheia de emoções, mesmo ;)
Beijão pra vc.
DriSouto
mulheresmaes.blogspot.com

Valquíria disse...

Clarinha realmente tem o comportamento muito parecido com o Gui, incrivel como o parto dois dois foi tão parecido e agora o comportamento tb!Eu tb rebolo aqui para manter a calma, não é facil mas passando esses momentos de estresse puro vem a doçura que nos cativa tanto né Ju!Eles são amarguinhos e doces ao mesmo tempo...heheheh
beijos,
Val e Gui