terça-feira, 7 de setembro de 2010

Nova Escola - "É Hora de Rever O Conceito de Família Desestruturada"

A revista Nova Escola trouxe na sua última edição, reportagens muito boas que pretendo colocar algumas aqui essa semana.
Pra começar, vou falar de um assunto que era muito falado e pouco estudado; eu vivi isso.

Para a psicanalista Belinda Mandelbaum, não há modelos idaeais de famílias; estas estão sempre em transformação e que um lar com pai e mãe em casa sempre, não é garantia de atenção à criança.

"Ela tira notas baixas,coitada, por que não tem um pai em casa pra dar amor e atenção."
"Ela não vai nunca se concentrar nas aulas pois em casa não tem uma família "normal" ".

Como eu ouvi essas besteiras, e outras, quando criança!!

É preciso se aprofundar mais no universo escolar de cada criança para entender suas dificuldades, assim como suas habilidades que podem estar ou não sendo desenvolvidas como deveriam.
Pra começar, o que é uma família normal? Qual conceito de família?? Quem deveria ser os responsáveis pela criança em casa e na escola?

Podem morar 20 pessoas da mesma família numa casa, porém, se não houver um só que dê a atenção necessária para a criança, esta tem seu caminho meio turvo, sem alguém para auxiliá-la a caminhar. A criança para se desenvolver bem na sua fase escolar, precisa de ajuda, precisa de atenção específica e saber que tem alguém que lhe dê apoio com paciência. Um estudante do ensino fundamental não aprende sozinho a estudar; não aprende sozinho a ler, a escrever, a ter sua rotina de estudos, a gostar de ler; é preciso um responsável por ele em casa, que o acompanhe com suas atividades escolares.

"Oque está dificultando o desempenho do aluno? A resposta não pode ser 'Os pais são separados ou ele só tem a mãe'." Diz Belinda.

A psicanalista fala de famílias comuns hoje em dia; casais homossexuais, pais separados, filhos morando com tios ou avós e assim vai. E nao deixam de ser uma família. Os educadores tem um papel fundamental para que isso dê certo, eles devem fazer com que esses filhos de famílias não-convencionais, possam ser acolhidos e analisarem qual o verdadeiro problema que afeta sua desatenção nas aulas, e tentar ajudar juntamente com o responsável deles. É um trabalho que pode ser feito em grupo nas aulas, desmitificando a idéia de família ideal.
Segundo a psicanalista um bom meio para o educador falar sobre isso em sala, é levando estatísticas para as aulas: "Segundo o IBGE em 2006, as famílias nucleares eram 46%, ou seja, mais da metade já tinham outras configurações. Outra opção é destacar que estudos recentes acenam para a conclusão de que, em termos do desensolvimento psicológico e cognitivo, não há diferenças na criação de filhos por casais homossexuais."


Como se tornar aliado do aluno com dificuldades?
"O estudante que está vivendo uma situação angustiante em casa, muitas vezes pede ajuda na escola. O educador tem que ser sensível a isso porque nem sempre é explícito. (...) O primeiro passo é tentar aproximação, com a abertura e espaço de escuta. (...) Em muitos casos, a simples atenção do professor que está todo dia ao lado dele, pode ser efetiva. "
Belinda.

Ela fala que todos devem ter o mesmo tratamento em sala, porém cada um com suas particularidades e especificidade de cada aluno com sua família. Hoje há mudança também no chefe de família, onde a figura do pai era imposta; hoje em dia está meio a meio. Respeita também, o espaço que a criança necessita na escola, para que ela aprenda a lidar com as pessoas e as diferentes situações, sem a presença do seu responsável.

O único pecado que ela cometeu nessa entrevista, NA MINHA OPINIÃO, é na última frase da reportagem, onde ela fala que acha "um absurdo  os berçários instalarem câmeras para permitir que os pais vejam o filho o tmepo todo", pois ela acredita que uma das funções da escola é de dar ao aluno a oportunidade de iniciar o convívio com outras pessoas fora de casa; conquiste sua independência.
Não concordei com isso. Berçário???? Quantas e quantas creches mesmo com câmeras, flagram violência contra bebês! Se ela tivesse trocado o "Berçário" por "escolas de ensino fundamental", onde essas crianças já podem falar - e nem todas as situações - oque acontece de estranho na escola, eu até entenderia, mas berçário...!!!!!

Apesar desse último parágrafo, eu adorei a reportagem. Nos faz enxergar que os rótulos de famílias estão em constante modificação e as dificuldades dos alunos nãp estão relacionadas com a desorganização imposta pela sociedade de seu lar; mas sim com a falta de acompanhamento e atenção da criança em casa, e que o educador pode e deve auxiliá-lo sem transferir a culpa para os pais ou responsáveis.
Os tempos mudam mas as crianças continuam com problemas emocionais levados para a escola, então será mesmo que o problema é a falta da "familia perfeita"? Acho que não. O problema é mais embaixo, digo por mim mesma. rs

Espero que tenham gostado, a próxima matéria dessa revista será "Literatura, Muito Prazer".

8 comentários:

Vanessa e Enzo disse...

Meu Enzo faz parte de uma família não nuclear - sou mãe solteira - mas isso não vai ser nunca uma desculpa para nada. Leio e me desdobro aqui para fazer o meu papel e levar a realidade para ele da forma mais adequada. Ele vai saber desde o início o quanto é amado, o quanto pode se sentir seguro e o quanto seremos amigos, ele pode contar comigo pra tudo, o que eu souber ensino, o que eu não souber aprenderemos juntos (vale pra vida e pra escola) e dessa forma espero que ele tenha sucesso (na escola e na vida - só pra variar rs)
E concordo contigo que utilizar a palavra berçário foi um erro. Eu ainda não deixei o Enzo ir pra creche (prefiro que ele fique com minha mãe por enquanto ) de medo desses absurdos que a gente acaba vendo. Se ele puder ir só quando souber me contar o que aconteceu, melhor! Meu coração agradece =)
Ótimo post Ju
Bjks

Luna disse...

Ju, adorei a sua abordagem sobre Família e me emocionei muito com o comentário da Vanessa.
A Revista Nova Escola é muito boa e os artigos vão te ajudar muito com a faculdade.

Bjinhos e obrigada por continuar nos acompanhando.

Luna e Felipe

Milka disse...

ótimo post!
tô anciosa pelo próximo post!!!

beijus pra vcs.

Misturação - Ana Karla disse...

Ju que post oportuno!
Li a reportagem e concorcordo plenamente com ela.
Não existe mais essa desculpa de que o aluno só vai bem na escola se tiver a família perfeita: papai, mamãe e filhinho(s).
Não importa quem seja, mas que seja responsável pela criança e que o ambiente de casa seja favorável, tranquilo e de muita união para que assim a criança possa desenvolver a continuidade do conteúdo dado na escola.

Xeros

Priscila Sant'Anna: disse...

Jú!

Também lí a reportagem e achei super interessante. Quanto a observação sobre "berçário" a psicanalista foi realmente infeliz. Primeiro que não são todos os bercários que tem câmeras, isso é pra quem pode pagar, ter acesso. O bom seria se todas tivessem, evitaria muitas barbaridades né? E falar em respeitar a individualidade de cças nesta idade é meio pesado né? forçou a barra.

Teve uma mãe que através da câmera descobriu que o filho estava num depósito de cças, por exemplo. Ela deixava ele na creche e as monitoras deixavam ele lá, parado o dia inteiro...não é uma violência, mas é um atentado ao desenvolvimento da cça né?

Beijos
Pri e Bia

Sílvia Renata disse...

Oi Ju...
Dorei o post. Ja tinha lido algo sobre isso, e achei interessante sua colocação. Tbm sou a favor de cameras em berçarios. Outra coisa, tbm concordo que pai e mae em casa nã são garantia de atenção ao filho. Eu trabalho fora e meu filho fica com minha mãe, mas qdo eu o pego, a atenção é toda voltada pra ele. Eu organizo a casa e faço os afazeres domesticos qdo ele dorme, ontem mesmo dormi meia noite terminando de lavar as roupas q comecei as 22:00 depois q ele finalmente dormiu... primeiro atenção ao meu filho depois as outras coisas...
Bjks

Giovanna Cresceu!!! disse...

Muito bom esse debate, Ju. Eu compro essa revista às vezes. A criança precisa mesmo de orientação e isso não tem a ver com o tipo de família que ela vive.

Bjs e ótima semana!

Micheli disse...

Felizmente, apesar de ter perdido minha mãe e meu pai apenas cobrar boas notas, sem nunca me acompanhar de perto, incentivar a ler, nada, eu era excelente aluna, sempre uma das melhoras da turma. A aprendi a gostar de ler, apesar do meu pai nunca me comprar livros. Era rata de biblioteca. Acho que os pais tem, sim, de orientar os filhos, mas não se pode usar desculpas em tipos de família pelo desempenho da criança. Uma coisa que meu pai sempre me impôs foi horário para estudar, para só depois poder brincar ou ver TV e talvez isso tenha me dado uma certa disciplina. Independente de quem cuida, é importante incentivar a criança, impor limites, sempre!
um beijo e ótimo post.