terça-feira, 3 de agosto de 2010

Era Uma Vez Uma Menininha

Era uma vez uma menina.
Aos 2 anos e meio de idade, seu pais se separaram e junto com a mãe e irmão, foi morar com a avó.
Segundo sua vó, era uma menininha muito alegre, simpática e adorava rir. Já sentia desde pequena a distância de seu pai, pois tinha febre sem motivo algum. Ele só a visitava nas férias, pois morava em outro estado, uma vez ao ano e até os 9 anos de idade, quando constituiu outra família e o tempo encurtou pra ela.
As visitas eram por telefonemas, presentes e algumas vezes ela ia ao encontro dele onde morava. Mas aos poucos, sentiu que não era tão bem vinda à casa dele, não por ele. Foram algumas piadas, algumas histórias sem fundamento, ironias e discriminação. Sentia que era um peso na vida dele, não por ele. Seu estudo, a saúde e alimentação, nada disso era mais obrigação de ninguém. E aí? Como ela se viraria? Era uma criança. Ela ouvia tudo, ela sabia de tudo, mas era pior que um túlmulo. Ela engoliu muitos sapos rindo para não ter que perder pra sempre o pai, pensava. A avó foi seu pai e sua mãe durante toda a vida, cobriu alguns buracos em caminhos que pra uma criança normal, os pais não deixam que eles afundem; escolas, planos de saúde, comida, roupa etc etc etc.
Ela cresceu sempre fechada, mas como havia aprendido, sempre com um sorriso no rosto, "mesmo que você não esteja bem, sorria sempre". Era preferível magoar-se a magoar alguém, era feio dizer não e errar.
Ela aprendeu a ser alguém completamente invisível a si mesma. Precisou resolver seus problemas, mesmo sem saber como.
Sua vida era sempr exposta pra todos da família, pra que alguém resolvesse os problemas que viessem. Ela só queria andar de mãos dadas, em segurança.

Quando ficou mais moça, conseguiu esquecer o pai e suas "etc", até que viveu bem sem se sentir um peso, passou algum tempo "off". Trabalhou cedo.
Começou a dizer "não" e isso incomodou muito, muito mesmo. Ninguém mais tinha controle sobre sua vida. As vezes sofria por achar que estava errada em guiar sua própria vida, porque como sempre, pensava primeiro nos outros ,depois nos outros e por último, nos outros. Parecia um emaranhado de sentimentos loucos, presos e que ansiavam a liberdade. Ela queria viver.
Teve uma vez que ouviu assim "porque você não vai com ele pros estados unidos? Vá, vai ser bom." Mas não entende porque que qunado ela casou, o mundo caiu e tornou-se bruxa por ter que ir pra outra cidade. Talvez porque ela quem segurou suas próprias rédeas e guiou seu destino.
Foi a época mais feliz e talvez a decisão mais firme e certa que ela já fez. Deixou muita coisa pra trás, alias, sua vida inteira. Mas as coisas e pssoas que faziam parte de sua vida, poderiam ter acompanhado seus passos, mesmo que de longe. Mas a distância é o fim pras pessoas que não aceitam passos diferenrtes do que esperavam. E assim ela partiu só. E começou a viver.
"Ahh..Porque eu não te conheci antes.."
Sem noção alguma de como é viver, aprendeu e se deliciou ao desfrutar de seus próprios atos e suas próprias decisões. Viu que era muito mais do que ela pensava ser, viu que o seu caráter era mais do que esperavam. E que ser sempre a certinha, sempre a simpática e meiga, nem sempre quis dizer que ela estava feliz e completa. É que no mundo, a gente se rotula para que as pessoas nos aceitem e as vezes nem sabemos desse rótulo e qunado descobrimos, nascemos outra vez.
Esperavam dela, uma mulher independente, vivendo pro trabalho, sem casamentos nem filhos. Queriam que ela fosse a mulher moderna e decidida que não houve sua família. Mas nunca pergutaram pra ela qual o seu desejo. E se espantaram ao descobrir que ser mãe e esposa, a deixava feliz, radiante e completa.
Descobriu que ela pode errar, pode chorar, pode cair e nada disso será sinal de fraqueza ou deslize. Ela descobriu a leveza de viver.
A gente aprende vivendo. Alguns tem mãos que os ajudem a montar o quebra-cabeça e para outros o quebra-cabeça é feito por outras mãos, pensando ter o domínio de tudo.
Do botão pra rosa; sa semente pra árvore.

Quando ela manda um presente pra alguém, ela não cobra o "obrigada".
Quando ela recebe um presente de alguém, é cobrada.
Ela liga pras pessoas e espera que elas estejam bem.
As pessoas não ligam pra ela.
Quando ela manda emails com fotos de sua vida, noticias; ela manda sem esperar o RE:
E é cobrada por não mandar mais, mesmo que não receba nenhuma resposta pelo menos se o email chegou.

Ela está inconsolável hoje. Muita coisa veio à tona e ela não suporta mais ser cobrada, ser a errada da história, em errar e ouvir essas histórias em versões não existentes. Ela apenas não está presente pra explicar. Ela não deveria ter que se explicar. Ela é filha, mas foi mãe a vida inteira, até dela mesma. Ela precisa aprender a responder e ser um pouco revoltada.
Hoje ela só quer ficar quieta, calada, abraçada com sua filha, esperando o marido chegar. Hoje ela não quer atender o telefone, ela não quer ligar pra ninguém. Amanhã ela vai ficar bem, no fim da tarde talvez ela já esteja.

Ela ficará alguns dias off.

Fim.

15 comentários:

Adriana disse...

Um abraço bem carinhoso meu!
Fique bem....

bj

Valquíria disse...

Ju, sempre quando os pais resolvem se separar quem acaba sofrendo e pagando o preço são os filhos. Posso imaginar sua dor e vc expos esse sentimento todo aqui muito bem e sei que isso te deixa mais leve. Tenha certeza que sua parte vc esta fazendo direitinho, é uma excelente amiga, esposa, mãe, filha e profissional nunca se esqueça que daqui do outro lado tem muitas admiradoras suas, que te gostam e que torcem pela sua felicidade!!!
Ah, obrigada pela lembrançinha da Clarinha que vc nos mandou, ficamos imensamente felizes e agradecidos, Clara vai ficar lá na porta da geladeira de hoje em diante p/ o Gui babar!!!hahahaha
beijocas,
com carinho
Val e Gui

Milka disse...

Um abraço bem apertado nessa menininha que eu adoro e um beijo enorme.
Fica com Deus!

Giovanna Cresceu!!! disse...

Um abraço bem apertado, querida!
Estou torcendo pra que fique bem logo.
Bjs.

Bia disse...

Família, família.. sempre com seus conflitos. Pense em primeiro lugar na família que vc construiu, com amor, seu marido e sua filha. Deixe o que te incomoda pra depois e não se permita ficar sofrendo mais ainda não! Bola pra frente.. =D

Beijoo

Micheli disse...

Amiga, a minha história não é muito diferente da sua... Meus pais não se separaram, mas minha mãe faleceu e isso foi ainda pior. Ele ficou perdido. Fomos morar com minha avó até ele casar de novo. Se separou e casou de novo outra vez. Sinto muita falta de referências, de me contarem sobre mim qdo era pequena, sobre a minha mãe. Minha história foi apagada. Meu pai pouco conversa, quase nunca liga pra saber nem de mim, nem da neta. E praticamente ninguém da minha família me procura. Meus sogros são muito mais carinhosos com a Clara e com o Revi que as pessoas do meu lado. Minha vó é muito querida, mas ainda é minha vó. Eu amadureci cedo, não tive muita infância, tinha de conviver cedo com problemas da família e tinha de cuidar do meu pai. Até hj minha avó acha que ele é a vítima, sendo que refez a vida com um novo casamento, já eu fiquei sem a mãe e sem um pai realmente presente. Quebrei muito a cara na vida por falta de ter com quem pedir conselho. Minha ex-madrasta foi muito ruim pra mim. tenho marcas até hj; tenho dificuldades em confiar em qqer pessoa. Não é fácil. E as pessoas sempre "pisaram" em meus sentimentos. Sempre disseram que eu não tinha motivo para sofrer. E não podia sofrer, só escondida em meu quarto. Até hj, por mais que meu marido seja presente, sinto falta de um colo às vezes. Infelizmente tenho de aceitar que nunca vou ter. Quero é poder dar sempre esse colo a minha pequena, para que ela não se sinta tão sozinha como eu sempre me senti.
A diferença é que hj eu entendo que Deus faz parte da minha vida e não me abandona.
Deus está cuidando de vc.
Qquer coisa, amiga, me manda um e-mail. Eu me identifico com a sua história, talvez a gente possa trocar idéias de alguma forma...
Um beijo e fica bem!
http://tagarelicesepensamentos.blogspot.com/

selma pereira disse...

Oi Ju....Nossa que sinceridade e que emoção nas suas palavras, as crianças sofrem muito vivendo longe dos pais ou quando os mesmos não se entendem e para piorar neste mundo têm pessoas ruins que não se importam de fazer crianças sofrerem com suas atitudes ou palavras. O triste disso é que marca muito, tudo que acontece na infância de uma pessoa reflete na fase adulta.E todos temos nossos traumas.
No seu caso, graças a Deus,com certeza é uma superação, pois vocÊ é uma pessoa de carater e um exemplo de mãe e esposa. Não sei direito o seu problema, mas seja o que for você é maior.
Bjs e fique com Deus.
Selma

Jannna disse...

ju, se pudesse t daria colo agora, amiga!!! Sei bem o que se passa no seu coração... mas aproveita colinho de filha e marido q isso é tudo!!! bjoes!!!

Sarah Casi disse...

Lindo texto! Percebe-se que foi escrito com muita emoção. Que essa menininha seja logo consolada e fique bem.

Clara disse...

Ju
o tempo vai passar e vc ficará bem eu aposto nisso. Queria poder te dar um abraço bem forte agora mas sinta-se abraçada e que Deus te abraçe por mim.
beijo grande !

Danielly Tiepo disse...

Oi Oi Oi

Passando pra uma visita e um comentário...
Ta lindo o blog... estou sempre por aqui viu!

Passa no meu tbm...
bjinhos linda!

http://blogdatiepo.blogspot.com/

Eliane disse...

Ju querida,
Você é uma guerreira, uma vencedora, uma pessoa prá lá de especial e muito iluminada!
Receba um grande abraço nosso, a distância, mas repleto de admiração, respeito, carinho e amizade!
Fique bem!
Eliane e André

Rebeca disse...

Ju,
me junto ao coro de pessoas que te admiram e podem ver aqui um pouco da mulher forte que vc é.
Há momentos na vida em que a gente quer encontrar respostas. Nem sempre elas vêm, é verdade. Mas muitas vezes conseguimos nos encontrar. Sabiamente Cecília Meirelles disse: "Aprendi com as primaveras e me deixar cortar para poder voltar sempre inteira"...

Beijos

Kicha disse...

O que eu poderia dizer ? Minha infância foi diferente da tua minha familia é estranha , mas muito ligada uns com os outros .Posso apenas te dizer que sinto empatia pela tua angustia , por mais que quisessemos que todo mundo desapareça eles estarão lá .Vai eles são esquisitos e pensam que vc é orgulhosa e não precisam dels pra nada , dum modo estranho te invejam , acredite vc é invejada por eles ...
bjks

Dê Freitas disse...

Ô querida...fica aqui meu abraço apertado!

bjs,